Escrevo este manifesto para demonstrar que se podem realizar acções opostas, ao mesmo tempo, num único e fresco movimento. Sou contra a acção; e em relação à contradição conceptual, e à sua afirmação também, não sou contra nem a favor.


Pedro Marques @ 19:28

Qua, 23/03/11

1. Se calhar, daqui a duas horas este post já estará desactualizado, por causa dos desenvolvimentos entre governo e presidente da república, mas não posso deixar de pensar no que pode vir aí. Se o governo cair preparamo-nos para mais uns anos de PSD-CDS ou de uma coligação ainda maior de PSD-CDS-PS?

Sócrates vai-se candidatar outra vez. E se ganhar? O que é que vai acontecer aos outros partidos depois?

Espera lá, mas o governo não ganhou as eleições há dois anos? E por que é que o governo vai cair?

Porque não tem maioria?

Mas espera lá, estes tipos estão todos a gozar connosco?

Mas pensam que o Passos Coelho vai ser melhor que o Sócrates? Preferem a arrogância ou a incompetência? Acham que o Passos Coelho e a trupe do PSD são melhores que o Sócrates e os boys do PS? Deixem-me rir. E o CDS? Com aquela demagogia toda os gajos até nos confundem, até parece que o Portas pode ser competente, não é?, com aquele sorriso todo, aquela pausa no falar, quase que somos levados a pensar que se calhar, lá no fundo, o Portas até é bem intencionado, só que depois lembro-me dos submarinos e das negociatas, lembro-me dele a falar dos agricultores, dos pescadores e a minha cabeça fica confusa.

À esquerda temos o PCP e o BE, completamente ultrapassados pela questão, o poder não passará por eles, e eles também, verdade seja dita, passam ao lado do poder. Se os partidos de esquerda tivessem os tomates para dizer sim ao PEC4, o PSD e o CDS não cantavam de galo. Mas como podem eles dizer isso, se também estão contra o governo? Claro, é óbvio. Mas, e se eles achassem, como já acharam na primeira eleição de Soares contra Freitas do Amaral, que o PS e Sócrates constituem o mal menor quando comparados com o PSD. É claro que eles nunca mostraram que podiam fazê-lo, negociando com o governo, constituindo uma alternativa, de facto, e não marcar a posição de orgulhosamente sós que começa a ser parecida com a de uma personagem que não me apetece citar.

Temos, portanto, aquilo que merecemos. Não temos nenhum partido credível que perceba de facto a caldeirada em que estamos metidos. Quisemos o primeiro mundo, certo, mas não temos estofo para ele, nem a nível político, nem económico, nem social.

A única área em que somos iguais aos outros é na excelência da nossa cultura, património e herança colectivas.

 

2. No outro dia falava com um amigo e ele dizia-me que era preciso os miúdos perceberem para onde estava a ir o mundo para escolherem a profissão. Certo. Sim, pensamento correto. Mas, alguém sabe para onde ele vai? Acho que não.

Por isso, o melhor é dizer aos miúdos: pesquisem. Podem ser tudo, de varredor de ruas a engenheiro informático, de cientista a soldado, a liberdade conquista-se...