Escrevo este manifesto para demonstrar que se podem realizar acções opostas, ao mesmo tempo, num único e fresco movimento. Sou contra a acção; e em relação à contradição conceptual, e à sua afirmação também, não sou contra nem a favor.


Pedro Marques @ 11:37

Qui, 21/10/10

Então agora é que chegou a crise? Parece que é agora, não é? Mas, meus amigos, ainda não é agora. A crise será quando as pessoas saírem para a rua a reclamar aquilo a quem têm direito. A crise será quando o país parar por sucessivas greves gerais. A crise virá quando o FMI nos emprestar dinheiro para pagar uma conta impossível de pagar. Aí é que a gente vai ver o que é a crise.

Já aqui fui crítico em relação aos partidos de esquerda, por nunca estarem de acordo com as sucessivas direcções políticas e económicas do país. Devo agora aqui dizer que eles tinham razão. Razão em não pactuar com este suicídio colectivo que desde que entrámos na CEE tem sido levado a cabo pelos sucessivos governos. Razão em terem dito sempre não e não quererem responsabilidades políticas. Razão em não pactuarem com esta chusma de governantes que alternadamente nos vão governando. Razão tive eu, também, em sempre ter votado nos partidos de esquerda (mitigando a minha irritação com o rumo do país, dando-me o falso conforto da democracia participativa) porque também nunca quis responsabilidades nesta merda de políticas que sempre foram fomentadas: consumo interno elevado ao cubo (compra de carros, casas, aparelhagens, etc, apenas porque sim), empréstimos à tripa forra, desmantelamento das unidades produtivas do país através da atribuição de subsídios (como na agricultura, pescas, indústria naval, etc.).

Podemos ver isto como consequência da nossa entrada na CEE, potenciada pela nossa incapacidade para negociar, a nossa posição vulnerável, etc, mas tudo isto só esconde a política sistemática de destruição do país, através do medo da colectivização, o medo do comunismo, e o abraçar do sistema monetário que leva à bancarrota qualquer país que deixe entrar nas suas fronteiras as multinacionais, as corporações que procuram apenas o LUCRO, num mercado "completamente livre". É isso que acontece em todos os países, foi isso que aconteceu na América do Sul nos anos 70 e 80, foi isso que aconteceu em Portugal, Grécia e Espanha nos anos 90. Agora sofremos as consequências.

Mas estávamos condenados, com primeiros-ministros como Cavaco Silva que queria à viva força fazer como os outros países ocidentais, que outra coisa podíamos esperar?

Agora não temos alternativas senão aumentar os impostos, mas até quando? Até quando as pessoas, as empresas vão pagar?


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