Escrevo este manifesto para demonstrar que se podem realizar acções opostas, ao mesmo tempo, num único e fresco movimento. Sou contra a acção; e em relação à contradição conceptual, e à sua afirmação também, não sou contra nem a favor.


Pedro Marques @ 00:33

Seg, 20/09/10

Na penitenciária

A copiar as letras dos maços de cigarros

O trabalhador e revolucionário socialista

Nikolay Vasilyev aprendeu sozinho a ler

Pegou em livros, usou o conhecimento

E escreveu, em maiúsculas,

‘SR. PROMOTOR PÚBLICO, SENHOR, FUI ATIRADO PARA ESTE BURACO

SEM RAZÃO

SEM LUZ, AR, ESPAÇO OU COMPANHIA

NÃO TEM DEUS?’

 

Não teve resposta

Uma noite, empilhou os livros em cima de si próprio

Pegou-lhes fogo e morreu carbonizado

 

Podemos aprender muita coisa com isto

Quando o conhecimento é ensinado por ignorantes

Não devemos temer os que queimam livros

Mas sim os construtores de bibliotecas

 

Edward Bond, tradução minha.



Erica @ 12:42

Qua, 03/11/10

 

Gostei muito deste poema, não conheço o poeta, mas vou procurar conhecer. Também gostei do texto dele sobre a arte e cultura, com o quadro do Magritte como intertexto, aliás cheguei até este blog pq estava procurando o quadro. Maravilhoso este mundo virtual que nos coloca em contato com outras questões a partir de uma questão inicial. abraço, Erica.


Pedro Marques @ 02:34

Ter, 09/11/10

 

Olá Erica. O Edward Bond é mais conhecido por ser dramaturgo. Mas tem muitas colecções de poesia, normalmente associadas a peças de teatro. Mas também escreve ensaios teóricos sobre a sociedade moderna como esse que leu e que tem o grande do Magritte. Era como se o Magritte fizesse a pergunta e o Edward Bond a tentasse responder no texto. :)