Escrevo este manifesto para demonstrar que se podem realizar acções opostas, ao mesmo tempo, num único e fresco movimento. Sou contra a acção; e em relação à contradição conceptual, e à sua afirmação também, não sou contra nem a favor.


Pedro Marques @ 19:47

Dom, 18/07/10

Desde que o Paulo Portas disse explicitamente que queria ir para o governo, todas as televisões, rádios, computadores (como, no caso, este), conversas, dúvidas, preocupações, aflições berram o mesmo pecado: "É preciso um novo governo!". E eu pergunto, "O quê?" Querem um novo governo, do PSD, agora? Então e as preocupações com as sensibilidades do mercado que há meses serviram para aprovar o PEC já não estão em vigor? Já não convém esperar? Então mas queremos outro governo, as pessoas votaram há um ano e já querem um governo... não será de começarmos a ver bem o que quer dizer essa palavra com que enchemos a boca todos os dias: a democracia. Se calhar não se trata de real democracia, trata-se apenas de um grupo de magnates à escala de Portugal a quererem vender o sistema de saúde e a educação a outros países. Querem vender a nossa dívida aos tubarões financeiros das multinacionais que realmente governam os países Ocidentais, com maior ou menor golpe de rins. Como nunca teremos dinheiro para pagar a dívida (porque 98% dos países do mundo devem dinheiro), porque haverá sempre escassez de dinheiro para nós, não pensem que ao vender o sistema de saúde às empresas farmacêuticas ficaremos melhor. Ficaremos sem ele, isso de certeza. Para onde vamos, não sei. Se é que alguém sabe.

 

Mas ok. O governo desde que começou a conversar com o PSD e com o CDS nunca mais se encontrou, nunca mais, porque as negociatas só dão nisso. Tira daqui, põe d'acolá, compra aqui as acções, vende ali a VIVO se non te impuertas, vai tudo correr bem, não se pode investir porque esta merda está toda a entrar em cataclismo, mas não faz mal. Fodo-te os cornos se dás mais dinheiro para aquele bando de parasitas que são os tipos da cultura.

Isto são eles a falar. Eles. Que não têm qualquer noção da merda que é este sistema baseado numa porcaria que se chama "Lucro - Dinheiro". Eles que não sabem o que fazer com as novas tecnologias que estão à nossa disposição. Não precisamos de comprar energia, já agora. Já há tecnologia para não termos de "comprar" isso. Está na terra. É da terra. Pertence-nos. Vem do SOL, do VENTO, do MAR, da TERRA, assim, em maiúsculas, para vermos a nossa pequenez. A comida também, a comida vem da terra, não vem da merda do supermercado. A comida vem das árvores, ninguém é dono dela. Mas que raio é isso?, filosoficamente falando. "Ser-se dono?" Nada. Não quer dizer nada.

E não estou a falar de comunismo, porque o comunismo tenta funcionar numa coisa que é errada à partida. Que é a ideia de uma classe social. Não há nenhuma classe social. Todos nascemos iguais perante as estrelas. Nus à sombra das galáxias.

Não é socialismo também. Não é democracia, não é quase nada desta porcaria que temos andado a fazer durante os últimos 100 séculos. Principalmente nos últimos 20.

Depois disto tudo, o que é que temos como raça: a Tecnologia e a Arte. Mais nada.

O dinheiro dos magnatas irá desaparecer e deles não restará nada. Nada. Deixarão a terra pior do que a encontraram. Apenas isso. Serão conhecidos apenas por isso.

Todos esses, o Paulo Portas por exemplo, que jogam este jogo até aos limites do nauseabundo, deviam olhar um bocadinho para trás, e olhar um bocadinho para frente. Assim, tipo, passado e futuro. Tão a ver? Aquelas coisas pelas quais devemos ter respeito. E não o dinheiro ou os submarinos que vocês vendem para endividar ainda mais o Estado. Cambada de....! E sim, estou a falar para ti, caro Paulo Portas, que perpetuas essa tua sabedoria assente numa aviltante capacidade de distorcer aquilo que é óbvio. Sim, tu. Desiste do poder. Desiste. Só fazes mal a ti próprio e ao país.

Desiste do dinheiro que tens e do poder que tens e vai fazer uma viagem, vai para um país longínquo aprender o que é viver, porque disso não fazes ideia do que é. Tens umas luzes... vai, e demora-te muito nessa viagem, tenta perceber o que são outros povos para não dizeres os disparates que às vezes dizes na Assembleia da República, e tenta estudar um bocadinho sobre psicologia infantil para não afirmares coisas que podem ofender pais. Retira-te Paulo Portas. Vai-te embora em vez de estares a dizer aos outros para se irem embora. Vai tu. Foste tu que não conseguiste ser primeiro-ministro, lembras-te? Já não és ministro da defesa. Acabaram-se as negociatas com as armas. Ok? Meu gangsterzito... Para que é que um país precisa de armas quando lambe o cu aos EUA? Não são precisas armas! Se houver problemas eles vêm logo cá. Começam pelos Açores, acho.

Já chega.

Realmente, foi uma boa ideia teres dito essa coisa no Estado da Nação. Foi bom. Realmente lembrei-me, que, primeiro que o Sócrates, quem devia ir plantar batatas, ou assim, eras tu. Vai. Vai saber o que é o mundo antes de cagares as postas de pescada que cagas.

 

Desculpa, Paulo Portas. Se calhar fui um bocadinho duro demais contigo, mas quando disseste aquela coisa ao primeiro-ministro não pude deixar de ver em ti essa ambição. Quis ajudar-te a. Desistir daquilo tudo, porque já não aguentas mais estar na oposição. Ou sim ou sopas.

Pois é. Acho que foi sopas.