Escrevo este manifesto para demonstrar que se podem realizar acções opostas, ao mesmo tempo, num único e fresco movimento. Sou contra a acção; e em relação à contradição conceptual, e à sua afirmação também, não sou contra nem a favor.


Pedro Marques @ 00:12

Sab, 05/06/10

Hoje, por acaso, consegui ver o debate quinzenal do governo na Assembleia da República. Já há algum tempo que não o via, mas isso não quer dizer que as coisas tenham mudado. Sei que as sondagens dizem que o PSD está próximo da maioria absoluta (meu Deus!, como é possível? - o Passos Coelho das tiazorras!), sei que o governo está em fase descendente desde que ficou sem a maioria absoluta, Sócrates parece não gostar de governar em consertação, mas os debates continuam a dar mais do mesmo. Oposição obtusa, dedicada a perguntas e retóricas oportunistas, excepção feita à verdadeira preocupação de Jerónimo de Sousa do PCP que, contudo, não consegue explicar que as desigualdades existentes no país devem ser combatidas fora de Portugal, na defesa dos interesses portugueses em Bruxelas.

Depois das últimas medidas de austeridade terem vindo de fora do país (com o beneplácito de Angela Merkel), medidas que levaram algumas personalidades a declararem que se estava a assistir a uma perda de independência, medidas essas que serviram como justificação para o acordo com o PSD, devíamos pensar mais nas nossas relações com a Europa e na Europa que queremos, aquela Europa que se deixou arrastar para uma crise que veio do outro lado do Atlântico, uma Europa crédula no que diz respeito à sua harmonia económica, política e social.

O primeiro-ministro disse hoje que depois destes acontecimentos a Europa não pode ficar igual. Ou avançará para um fortalecimento das ligações comunitárias, com a criação de instituições de governo europeias mais credíveis e efectivas ou andará inexoravelmente para trás, num movimento perigoso para a própria união.

De facto, devido ao peso do próprio país em termos económicos, todas as medidas que se podem tomar serão sempre relevantes a prazo - a educação, o aumento das exportações para equilibrar a balança de pagamentos, a cultura, etc - o governo não está de mãos atadas (porque nunca quis estar) mas tem a gravata muito apertada. Afinal, é isso que o capitalismo significa - andar com a corda ao pescoço toda a vida sem nunca sermos estrangulados por ela. O medo está lá, sempre, a dizer-nos que temos de andar para frente.

E é aqui que eu me desvio do discurso neo-liberal do primeiro-ministro. Quando ele diz que não é possível outra esquerda, ou outra direita, como ele acusou o CDS de querer ser. É possível outra política, sr. primeiro-ministro. Acredito que está a fazer o melhor possível pelo NOSSO país. Acredito sinceramente. Mas não é suficiente. A minha utopia, a utopia em que voto, a do BE e do PCP - embora estes partidos não saibam funcionar numa sociedade injusta (que partido justo saberá argumentar numa sociedade injusta?) - tem como objectivo o fim da exploração do homem pelo homem, a mesma da dos dias de hoje, e qualquer resignação a esse facto é uma traição aos valores mais dignos da humanidade tal como nós a conhecemos neste princípio de século.

Porque sei que o buraco onde o capitalismo se meteu é fundo. Sei que ele não terá qualquer viabilidade. É por isso que sonho com um mundo melhor. E voto nesse sonho, nessa utopia, porque devemos querer mais do nosso país e da nossa sociedade. Aquilo a que estamos a assistir é ao capitalismo a comer-se por dentro. E isso é preocupante, eu não quero o meu país a comer-se por dentro. Quero um futuro.


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crescita seno @ 16:09

Qua, 16/06/10

 

Parabéns pelo seu blog! uma delícia! Voltarei para ler