Escrevo este manifesto para demonstrar que se podem realizar acções opostas, ao mesmo tempo, num único e fresco movimento. Sou contra a acção; e em relação à contradição conceptual, e à sua afirmação também, não sou contra nem a favor.


Pedro Marques @ 22:41

Dom, 11/10/09

Acompanhava a noite das autárquicas. Ouvia todas as declarações, as melhores, as piores, as oportunistas, as inteligentes (a do Luís filipe Meneses), quando surgiu o Jerónimo de Sousa a falar dos resultados da CDU. Nada de esquisito, pensei, ele dizia que a CDU "reforçava" as suas posições, e que em Lisboa e no Porto era ainda mais meritório por causa da grande polarização devida ao voto útil e à campanha mediática, bla bla bla.

E eu pensei, "ó camarada, tudo bem quanto ao reforço, etc, eu já esperava e ainda bem que assim é, mas quanto a essa suspeita de manipulação mediática acho que estás a exagerar, também não é preciso ser assim..."

No momento em que disse isto aos meus botões não pensei duas vezes, mas devia ter pensado, porque o senhor, afinal, é bem mais velho do que eu. Alguns segundos depois o orelhudo pseudo-escritor-jornalista decidiu cortar-lhe o pio. Pensei eu, para passar para o Santana Lopes (como que em vingançazinha por causa do episódio Mourinho, ai o futebol, sempre o futebol)... mas não, era para ir para anúncios. Irritado decidi mudar de canal. Agora queria ouvir aquela declaração. Mas não. Não podia. Tanto a SIC como a TVI já tinham feito o mesmo que a RTP.

Estão-se a rir? Eu não. Será que  RTP foi a reboque das outras estações? Trata-se então realmente de um arranjinho para prejudicar o PCP? Tenho de acreditar nisto? Será que a terceira maior força autárquica do país não interessa quando o seu secretário-geral fala? Estas e outras perguntas ficaram a cirandar na minha cabeça à espera de resposta.

Eu, confesso, já tentei tudo. Já tentei emigrar, mas mesmo isso me saiu furado. Que devo fazer? Ai, ai (suspiro).