Escrevo este manifesto para demonstrar que se podem realizar acções opostas, ao mesmo tempo, num único e fresco movimento. Sou contra a acção; e em relação à contradição conceptual, e à sua afirmação também, não sou contra nem a favor.


Pedro Marques @ 09:53

Sex, 25/09/09

Último dia de campanha eleitoral para as legislativas. O PS está à frente nas sondagens, o PSD acredita que vai ganhar porque nas europeias também foi assim, o BE está contente com a queda da maioria absoluta, o PCP faz-se ao piso do governo socialista e o PP toca pandeireta. (Parece que já não tenho que emigrar...)

O facto de Sócrates ter sido o melhor primeiro-ministro desde a entrada na CEE ainda não me faz votar nele. Lamento imenso, mas continuo a achar que não se pode contar com o partido socialista. Foi o melhor governo, sem dúvida, mas não chegou a ser bom. De 1 a 10 dava-lhe 5, quanto muito um 6. Por isso não baixo as minhas exigências para se adaptarem à mediocridade normal do país. Prefiro votar na utopia comunista.

Para além de que algo me diz que este governo vai ser pior. Não acredito que Sócrates com toda a sua arrogância consiga fazer o golpe de rins necessário para governar à esquerda com o BE e o PCP. Não acredito que se forme uma novca coligação sob o signo da constelação Alegre. O PS é imprevisível, sempre foi, aliou-se sempre aos mais inesperados adversários, CDS, o bloco central com Cavaco, etc. O PS sempre arranjou maneira de pôr o socialismo na gaveta. Eram outros tempos, é certo, mas o pensamento lá está. Soares ainda faz comícios e Sócrates ainda o apoiou para Presidente.

O PS vai ganhar as eleições, ao que parece, e ainda bem, a Manuel F. Leite pode ir pendurar-se como verdadeiro bacalhau empalhado numa qualquer sala sem humidade para ver se resiste ao desfazer-se do seu partido. Fico preocupado pela quantidade de apoiantes que o PSD ainda tem, e a quantidade de pessoas que ainda acreditam na demagogia do CDS. Paulo Portas é um belo e porreiro bobo. Acreditam na vitória. Mas parece que não é para já. A direita terá de esperar por mais umas europeias para se vangloriar.

Que me resta então? Se não voto PS nem PSD nem CDS, por algumas das razões acima apresentadas, que voto me sobra?

O BE? Ficou claro que o Louçã seria o melhor primeiro-ministro do país. Eu também quero a energia e as bancas nacionalizadas. Eu quero a banca a pagar os impostos que toda a gente paga. Eu quero saúde e educação pagas pelo estado. É uma utopia? Talvez. Mas é por isso mesmo que eu voto no BE. Porque é uma utopia.

(Nas autárquicas voto no PCP, não consigo pensar em melhor maneira de homenagear todo o trabalho que o partido tem feito no país desde há quase 100 anos.)

Seja como for, exorto (ou enxoto) todos os meus compatriotas a ir votar. A inércia não muda nada. Votar é direito e dever.



pedro @ 14:09

Sex, 25/09/09

 

ainda ontem ouvi umas senhoras de cascais a conversar sobre as eleições & falar do seu maior medo: a possibilidade de o be ter força para influenciar o governo deste país...
:)


Pedro Marques @ 22:55

Sex, 25/09/09

 

Azar... :-)

Rui @ 22:14

Seg, 28/09/09

 

Ó Pedro, eu também quero. E por isso voto CDU, também acredito na utopia. De qualquer maneira fossem todos como tu. E é sempre bom saber que há gente a valorizar o nosso trabalho no poder autárquico, mesmo que eleitores do Bloco.
No entanto, uma coisa, não percebi onde queres chegar com "o PCP faz-se ao piso do governo socialista". E não estou a ser cínico, não percebo mesmo.

Pedro Marques @ 16:06

Qua, 30/09/09

 

Desculpa Rui, mas não sou eleitor do Bloco. Sou eleitor do Bloco nas legislativas. Nas presidenciais votei Jerónimo e sempre votei CDU ou PCP. Só que acho que o PCP não tem dinâmica nacional para combater o PS. E repara que digo PS, não digo direita, ou CDS, ou PSD.
Acho que o PCP pode combater os senhores da direita, nas ideias, nos programas, nas ideologias (embora elas estejam todas mortas), etc. Mas com o PS falta-lhe a flexibilidade para sair do discurso dos trabalhadores, sindicatos, etc. Acho que o PCP devia assumir que é um socialismo mais radical que o PS, sim, mas não atirar fora as propostas deles, só porque são de direita: elas não são de direita. São apenas de uma esquerda mais moderada. E isso devia ser assumido e combatido.
Por isso fiquei um bocado perplexo quando ouvi o Jerónimo dizer que estaria disposto a conversações desde que houvesse um propósito, etc. esta posição é tanto mais estranha quanto se sabe que na posição do PCP nada mudou, tratou-se apenas de um modo de ser menos radical quando se está perto de eleições, tentando angariar mais votos. Daí o "fazer-se ao piso".
Ao mesmo tempo que acredito que o PCP é o partido com o programa mais coerente acho que também é aquele que menos o flexibiliza, ou que demora mais tempo a alterar posições. E isto vai directo à razão por que não voto CDU nas legislativas: o partido não tem dinâmica nacional.
Quanto às autarquias, a coisa já é completamente diferente...